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Cerâmica

Em 1986 Alberto Cidraes é convidado no Brasil, por Manuel Costa Cabral, para vir orientar um curso de Cerâmica no Ar.Co, financiado pelo Fundo Social Europeu. No ano seguinte, irá coordenar a construção na Quinta de S. Miguel em Almada de um forno de lenha para queimas de alta temperatura, segundo um esquema japonês (norborigma). 1987 é ainda o ano do início da formação em Almada e do “Simpósio Internacional de Cerâmica - Alcobaça 87”, que reúne ceramistas nacionais e internacionais. A partir daí, convidados estrangeiros partilham conhecimentos, orientam formação, expõem publicamente o seu trabalho e ajudam a consolidar uma orientação experimental alargada para a Cerâmica. Particularmente relevante será o workshop de Julho de 1988, com os americanos Christopher Gustin, Arnold Zimmerman, Patrick Loughran e Nancy Smith (que mostram em simultâneo trabalho na exposição “Cerâmica na Quinta de S. Miguel”), tal como a ligação desde aí estabelecida entre o Ar.Co e a UMASS - University of Massachussets-Dartmouth, com quem o Ar.Co manterá intensas trocas de alunos e professores. Há também colaborações vindas de outros lados: a suiça Aline Favre, os brasileiros Gilberto Jardineiro, Megumi Yuasa e Cristiano Quirino, Jeremy Fiennes (que constrói com os alunos novo forno de lenha Norborigma em 1989), Barry Bartlett (do Bennington College, Vermont), o belga Patrick Picarelle e os japoneses Masayuki Inoue e Yuki Nakaigawa. O movimento de intercâmbios com a SAIC-School of the Art Institute of Chicago inicia-se também, com a estadia no Ar.Co durante um semestre do Director de Cerâmica dessa escola, Bill Farrell (seguindo-se-lhe estágios de alunos em Chicago). Em 1991, Graça Costa Cabral passa a dirigir o departamento e faz um estágio na École Nationale d’Art Décoratif de Limoges. As contribuições vindas desta escola nos dois anos seguintes (Jean-François Demeure, Jean Jaques Dupuy, Jean Charles Prolongeau e Joel Capella-Lardeux) são cruciais para a introdução da porcelana nos programas do departamento. Em 1993/04 a americana Anne Kraus trabalha e orienta formação em Almada, seguindo-se-lhe Luís Raposo (EUA) em 1995/96. Em Fevereiro de 1994 realiza-se na Oficina de Cultura da Câmara Municipal de Almada a exposição “Ar.Co: Cerâmica 1994”, com a participação de Helena Abrantes, Rosa Anahory, Alice Anjos, Ana Batalha, Ilda Bragança, Paula Brito, Anabela Camelo, Ana Ferreira, Tiago Gil, Rute Magalhães, Maria João Ribeiro, Anabela Rodrigues, Arlene Selmonosky, Anita Sorensen, Jesus da Silva e Maria da Silva. Ao longo destes anos e até 2000, o departamento vai recorrendo em simultâneo a um corpo pedagógico nacional: além de Alberto Cidraes e Estrela Pais Vieira colaboram Alda Reis, Leonor Irra, Manuel Osório de Castro, Bota Filipe, Helena Abrantes, Maria José Oliveira, Ana Ferreira, Maria Felizol, Paulo Óscar, Alexandre Rebotim, Maria Oliveira e Bela Silva. O fluxo intenso de intercâmbios internacionais de alunos e professores é instrumental na introdução de técnicas, materiais e equipamentos nos conteúdos programáticos do departamento: tornam-se correntes (até hoje) as queimas de alta temperatura em redução, o Raku, os fornos de papel e a Porcelana Líquida. Progressivamente, uma componente histórica e teórica ganhará também peso no programa, mediante convites dirigidos a artistas e especialistas que apresentam temas específicos (José Meco, Sérgio Taborda, Ana Viegas, Eduardo Nery, António Marques, Rafael Calado). Sob as direcções sucessivas de Graça Costa Cabral, António Marques e Teresa Ramos, as acções de formação e de divulgação fora do Ar.Co alastram: o departamento realiza as exposições “Cerâmica do Ar.Co 1996” na Oficina da Cultura em Almada e “Três Anos de Cerâmica no Ar.Co” (1998) no Museu Nacional do Azulejo, coordenando-se ainda com a Joalharia para realizar “Os Dias de Tavira” (2001). No ano lectivo de 2001/2002 inicia-se uma colaboração com o Museu de Cerâmica das Caldas da Rainha e em 2005 tem lugar na Galeria Munipal de Almada a exposição “Oficinas de Cerâmica do Ar.Co 2004-2005”. Esta última iniciativa vem a revelar-se determinante, permitindo fazer um ponto de situação público do caminho percorrido. Ao mesmo tempo, participantes na exposição são convidados para integrar o corpo pedagógico, possibilitando uma maior diversidade de abordagens e formas de utilização dos materiais e técnicas cerâmicas. Entre 2001 e 2005 Maria Oliveira e Alexandre Rebotim leccionam na Quinta de S. Miguel a disciplina “Argilas e Cerâmicas” como parte integrante da Licenciatura em Conservação e Restauro da UNL - Universidade Nova de Lisboa e entre Dezembro de 2004 e Março de 2005 realiza-se em Almada o estágio/residência da ceramista moçambicana Anésia Zefanias Filipe Manjate (Prémio União Latina de Jovem Criação em Artes Plásticas 2003), que dá lugar a uma produtiva troca de experiências. A partir de 2005 são professores convidados Elsa Figueiredo, Carmina Anastácio e Martim Santa Rita. Os exercícios de conceptualização, construção e composição passam a constituir o cerne da pedagogia, cifrando-se num alargamento dos horizontes críticos e interpretativos do trabalho produzido.  Induz-se ainda a experimentação a partir de saberes e técnicas tradicionais como o empedrado de Nisa ou a verguinha Cerâmica (convites em 2006 e 2007 aos artesãos António Pequito de Niza e Luísa Tavares da Oficina do Barro de Óbidos) e concentra-se alguma da formação em técnicas específicas (Andreas Stocklein e Stefanea Barale são convidados entre 2008 e 2010 para o ensino, respectivamente, da Azulejaria, Terra Sigilata e Fumagens). O cruzamento com outros departamentos da escola sistematiza-se e revela-se particularmente produtivo para um aprofundamento da reflexão sobre o papel da cerâmica enquanto veículo de expressão plástica. Sob o título genérico “A Cerâmica na História” dá-se início em 2010 a um trabalho de investigação que permite a ligação a conteúdos vindos de outras áreas, como a arquitectura ou a arqueologia. No workshop de Louça Preta, em 2012, realiza-se uma queima em Soenga com a participação da Câmara Municipal do Seixal - Ecomuseu Municipal do Seixal, o Centro de Arqueologia de Almada, o UNIARQ - Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa e estudantes de Arqueologia da FL-UL (dando continuidade a esta parceria está em curso um trabalho de avaliação do comportamento de argilas recolhidas pelos alunos, em barreiros da zona, tentando-as comparar com achados arqueológicos de cerâmicas produzidas na olaria romana da Quinta do Rouxinol-Seixal). A visibilidade alcançada pelo departamento e a solidez da sua reputação possibilita um número acrescido de oportunidades de colaboração: faz-se formação para públicos exteriores (St.Julian’s Summer School 2010 e 2011 e Workshop para Professores 2012), acordos para estágios (CENCAL e Escola Secundária António Arroio), participa-se em projectos expositivos (Projecto “Design +” organizado pelo ICEP para Portugal, Espanha e Reino Unido, 2005; Exposição de Lançamento das Rotas de Cerâmica - Programa de Iniciativa Comunitária EQUAL, 2006; programa “1 Obra 1 mês” na Escola Superior de Dança, 2007 e 2008; Projecto “Destination Portugal”, produtos para a loja do MOMA de N.Y., 2009; “POP’s - Projectos Orginais Portugueses” organizado pela loja do Museu Serralves-Porto, 2009) e o departamento responde a solicitações para consultoria, execução de peças e apoio de oficina para projectos pessoais de artistas plásticos nacionais e estrangeiros, em colaboração directa com os mesmos ou através de acordos institucionais e parcerias (Clube Português de Artes e Ideias, Plataforma Revólver, Carpe Diem-Arte e Pesquisa). Em 2013/14 Teresa Ramos partilha a responsabilidade do departamento com Maria Ana Vasco Costa (que se tornará única responsável em 2016/17). O programa pedagógico continua a promover a aprendizagem de uma grande diversidade de técnicas no que toca aos aspectos construtivos, à investigação de vidrados e ao uso dos fornos, sendo enfatizada uma atitude mais intensamente experimental. Os praticantes são incentivados a explorar o interesse de “erros” e acidentes no contexto de um uso transdisciplinar da tradição cerâmica, colocando o seu trabalho desde o início no campo alargado das artes visuais.


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    Construção do forno de lenha Norborigma na Quinta de S. Miguel, Almada. Orientação de Alberto Cidraes, 1987.

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    "Simpósio Internacional de Cerâmica - Alcobaça 87". Angus Suttie.

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    Novo forno de lenha Norborigma construído por alunos dirigidos por Jeremy Fiennes em 1989, Quinta de S. Miguel.

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    Trabalhos de ceramistas americanos no Ar.co. 1988.

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    "Simpósio Internacional de Cerâmica - Alcobaça 87". Michel Moglia.

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    Peças de Masayuki Inoue que orienta workshop na Quinta de S. Miguel, 1990.

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    Folha informativa - conferências de Cerâmica no Ar.Co para 1996.

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    Workshop com ceramistas americanos, Quinta de S. Miguel, Almada, 1988. Patrick Loughran.

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    "Ceramics Exhibition by the AR.CO Students". British Council, Lisboa, Maio de 1990.

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    Workshop de técnica "Verguinhas" com Luísa Tavares da Oficina de Cerâmica de Óbidos, Quinta de S. Miguel, Almada, 2007.

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    Open Day dedicado ao Ar.Co na St Julian's School de Carcavelos - Cerâmica. Junho 2007.

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    Departamento de Cerâmica - Construção de fornos de papel com Martim Santa Rita. Quinta de S. Miguel, Almada, 2010.

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    Construção de forno portátil e queima Raku com Martim Santa Rita. Quinta de S. Miguel, Almada, 2014.

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    Workshop de moldes em gesso e látex no Ar.Co Almada orientado pela artista convidada Katie Lagast, 2015.

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    Workshop de moldes em gesso e látex no Ar.Co Almada orientado pela artista convidada Katie Lagast, 2015.

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    Trabalhos de Ana Pinto Afonso na Exposição de Outono Parte I, Quinta de S. Miguel, Setembro 2015.

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    Projecto de painel cerâmico para arquitectura de Maria Ana Vasco Costa. Exposição "Bolseiros & Finalistas 014", Museu de Lisboa, Pavilhão Preto, 2015.

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    Workshop de Roda de Oleiro com Ricardo Lopes. Ar.Co Almada, 2016. imagens: Joana Gonçalves Pereira.

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    Workshop de Roda de Oleiro com Ricardo Lopes. Ar.Co Almada, 2016. imagens: Joana Gonçalves Pereira.